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Morte de meu pai 

  

21/09/009 – Fui trabalhar como sempre vou todos os dias, estava trabalhando normal, quando minha irmã ligou de Caçapava, pedindo que eu fosse ver meu pai, ele não estava bem.

Já entrei em desespero e fui de ônibus para Caçapava.

Chegando lá eu o vi na cama já bem debilitado.

Conversei com ele sobre várias coisas, para se cuidar, comer, parar de fumar e beber, caminhar, sobre o passado o futuro, foi um papo bom como sempre “Nosso papo”.

Nesse mesmo dia eu o vi vomitar, ter dores, ser carinhoso com minha mãe e ter que ir para o hospital as pressas, pois estava com muita febre e desfalecendo.

 Era entre 12h e 13h que ele foi levado para o hospital.

Fiquei lá com ele.

Minha mãe foi visitá-lo junto com outros dois irmãos, ele ficou muito feliz aos vê-los.

Minha mãe disse-lhe que não poderia passar à noite com ele, pois ela não agüentava ficar em hospital, e disse-lhe que eu iria ficar, precisava ver os olhos dele, que alegria, nem parecia que estava em um hospital, há meu pai… , naquele momento entendi, éramos nós dois, ali e para sempre, coisa de outras vidas.

 Passamos a noite juntos, foi à noite mais importante e horrível de minha vida.

Eu o acompanhei até o banheiro vária vez não olhava para seus órgãos, sabia que ele tinha vergonha e depois que saísse dali não queria constrange-lo.

As horas não passavam, várias enfermeiras o visitavam durante a noite.

Ele me falou de sua vida, passado, presente e futuro. Pediu-me para ter mais calma, ser mais amorosa com minha mãe, ter paciência com a vida em geral.

Nos demos muitas risadas com coisas que passaram, choramos com acontecimentos ruins e falamos sobre política o Lula, ele adorava o Presidente Lula.

 Falamos sobre todos da família, ele gostava muito de um irmão meu o mais velho, gostaria de sair logo do hospital para poder pescar com esse irmão.

Um médico queria conversar com ele em outra sala, não achei legal, pois ele estava muito debilitado, então eu o acompanhei até esta sala, ele estava em uma cadeira de rodas e com soro no braço, me olhava com os olhos perdidos e tristes  (“seus olhos eram azuis como o céu”), derrepente ele desfaleceu, vi seus olho virarem e olharem alem de mim, da vida, muito estranho parecia que estava em outro mundo, nessa hora alguma coisa me disse que ele ia morrer, gritei a enfermeira e o tiramos de lá.

De volta ao quarto ele voltou ao normal, bebia muita água, e ia muito no banheiro, a enfermeira queria colocar fralda nele, mas ele não concordou e disse que eu o ajudaria se ele precisasse.

E o tempo não passava, o momento que me deu um pouco de animo foi quando o médico de plantão me disse que ele iria sair da emergência e iria ficar em um quarto melhor.

Só pensei que eu e meus irmãos poderíamos nos revezar e cuidar dele, e assim que melhorasse iria voltar para casa e tudo voltaria ao normal, às brincadeiras as danças – ele sempre que dançava tirava os chinelos e fazia a farra, era ótimo há meu pai…

Era cinco horas da manhã e a médica de plantão o transferiu para UTI, depois de ver seus novos exames, fiquei perdida chorando muito, sozinha cadê meu pai…

Não adiantou minhas lágrimas, meu desespero a única coisa que a médica me disse era para eu ir embora que não adiantava nada eu ficar lá.

 Voltei ao quarto e ele já não estava mais lá, já o tinham transferido para a UTI.

Nem pude dizer fica com Deus, vou embora, mas volto logo, fica tranqüilo, calma pai, eu o amo e preciso de muito de você ainda, se cuida.

Sai do hospital não via nada, parecia que pisava em ovos, só andei, muito, minha mãe morava numa área rural e o hospital era numa área urbana.

Não consegui pegar ônibus, só chorava e pensava no meu pai.

Quando cheguei ao morro da casa de minha mãe, eu a encontrei já indo para o hospital e ela ficou mais triste ainda me vendo daquele jeito, me acompanhou até em casa me deu um chá e me colocou na cama.

 Apaguei, acordei mais tarde, minha mãe já estava de volta do hospital e me disse que meu pai já estava melhor e no quarto.

Eu perguntei se ele havia falado alguma coisa e ela me disse que ele pediu para ela ir embora e cuidar de mim, pois estava muito preocupado comigo, há meu pai…

A noite chegou fomos visitá-lo, minha irmã, eu e meu irmão que ele gostava muito.

Na hora da visita iria entrar minha irmã e meu irmão, pois eles não o tinham visto ainda. Mas minha irmã disse que eu poderia entrar que ela iria passar a noite com ele.

Todas as visitas estavam entrando, menos nós, a demora começou a perturbar.

Perguntamos o porquê da demora e a enfermeira nos acompanhou até a sala do médico de plantão. Esse médico pediu para sentarmos, eu pensei que ele iria dizer que meu pai ia ser transferido para o quarto.

Não ele disse seu pai faleceu às 20h30, de infarto fulminante, eu não quis acreditar, aceitar comecei a chorar desesperadamente, meu irmão me segurou, e eles me doparam. 

Essa noite que passei com ele no hospital foi importante por que pude ficar e conversar com ele pela ultima vez, pois ele é e será sempre  muito importante para mim. 

   

Bem nesse momento uma parte de minha vida acabou, uma parte que era muito importante para mim – “saudades PAI” 

  

Frase que ele me disse e não consigo esquecer. 

 “Pai é palha mãe é mãe” – queria que eu amasse minha mãe como eu o amava. 

Se soubesse, imaginasse como é importante para mim…         

Sei que isso não basta para entender que sua vida é deveras importante, espero que Deus te ilumine e abençõe. Coloque um anjo no seu caminho, um amigo que te oriente e ilumine nesses caminhos de pedras tão duras e ponte agudas que pisas.

 

A arte da gentileza

 

Publicado em: 23/07/2010

Por: Flavia Penedo

Quantas vezes já nos pegamos reclamando da violência, da falta de educação, intolerância ou mau humor dos outros, da rispidez nas relações cotidianas? Muitas, provavelmente, principalmente quem vive no ritmo acelerado das grandes cidades. Mas, às vezes, é importante questionarmos se estamos sendo tão diferentes assim. Porque a reação mais comum, ao se receber uma grosseria, é atacar de volta e, desta forma, vamos alimentando uma cadeia de aborrecimentos, que só tende a crescer. Depois, inevitavelmente, a sensação que fica é muito ruim, porque recebemos e devolvemos emoções densas e negativas.

O antídoto contra isso está ao alcance de todos nós que nos dispusermos a praticar a gentileza em nosso dia a dia, de forma a fortalecer essa corrente do bem, comprometer-nos, não apenas com o próprio bem estar, mas com o de quem cruza nosso caminho, ajudar a estabelecer relações mais saudáveis e melhorar um pouquinho o mundo em que vivemos. Simples assim, com cada um fazendo a sua parte, independente de ações grandiosas, ou que tenham um resultado palpável a curto prazo. Existem coisas que não podemos medir concretamente, mas que tocam o coração e são capazes de provocar profundas transformações à medida em que vão sendo disseminadas.

Pequenos gestos de educação, como dizer ‘por favor’, ‘bom dia’, ‘me desculpe’, ‘obrigado’ são sempre muito bem vindos e capazes de fazer uma grande diferença. Mas ser gentil pode ser ainda mais que isso, quando procuramos nos conectar realmente com um estado de espírito afetuoso e viver de acordo com ele. Ou seja, gentileza é, antes de tudo, uma postura interna que, conseqüentemente, se reflete em nossas atitudes, gestos e palavras e que pode, assim, quebrar todo um ciclo de agressividade, impaciência e egoísmo que se propaga entre as pessoas em meio ao estresse e à correria diários.

Sorrir, ser amável, uma palavra de conforto, cumprimentar aqueles que nos prestam serviços diariamente, segurar a porta do elevador para que a outra pessoa entre, retribuir um favor, oferecer ajuda sem esperar receber nada em troca, são exemplos simples e fáceis de ser aplicados e contribuem para que o ambiente em que vivemos se torne mais harmonioso.

Resultados de pesquisas científicas corroboram isso afirmando que atitudes gentis elevam nossos níveis de satisfação emocional, provocando sensações de alegria, felicidade, entusiasmo, bem estar e tranqüilidade. Como mente e corpo são indissociáveis, uma vez que adotamos uma postura mais compassiva, amorosa e generosa perante nós mesmos e às relações que estabelecemos, acabamos por respeitar mais nosso ritmo interno, liberando tensões, lidando melhor com o tempo e com os desafios, melhorando a qualidade de vida e, conseqüentemente, a saúde, diminuindo consideravelmente os sintomas de estresse, mau humor e fadiga.

Além disso, como vibrações positivas geram mais vibrações positivas, graças à lei de ação e reação, quanto mais oferecemos o nosso melhor, mais recebemos de volta. Gentileza gera gentileza, sempre. Experimente entrar nesta nova sintonia, perceba uma nova qualidade de energia vibrando ao seu redor e as mudanças que ela pode proporcionar!

 

Mãe são conforto, colo, carinho e paz.

E isso é fácil de falar, e por em prática?

Também é, se nós mães soubéssemos como somos poderosas e capazes de fazermos felizes nossas crias esses bens preciosos que temos. Tudo nessa vida tem um por que, para que, e nós como mães nascemos com este dom, ninguém mais os tem.

Acredite, este é o primeiro passo para mudarmos, ajudarmos e fazermos felizes nossos filhos.

Filhos felizes =  lar em harmonia, prazer sem fim

                   = lar em harmonia, maridos compromissados com este prazer

NUNCA, JAMAIS, DE MANEIRA NENHUMA, diga ou dirija uma palavra um comentário que não seja construtivo, benéfico, a pessoa de seu filho(a). NEM a ele ou outra pessoa. JAMAIS

 

Demonstrar afeto é… “Em vez da noção de comunidade e da senção de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afetivos. O que gera essa situação é a retórica contemporânea de crescimento e desenvolvimento econômico, que reforça intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e a inveja. E com isso a percepção da necessidade de manter as aparências, que por si só, formam uma importante fonte de problemas, tensões e infelicidade. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano – tais como amor e compaixão, paciência, tolerânica, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros.” (Buda Sidarta Gautama)

Não admita que ninguém também fale ou comente.

As mães conhecem seus filhos, tudo o que eles são, o que podem oferecer, e que eles vão ser. Então guarde para si.

E saiba só você pode mudar este estado, COMO?

Vou contar uma história, tenha paciência de ler, tenho certeza que ela vai ajudar você no seu lar e na educação de seus filhos .

Meus filhos, minha vida.

Casei-me grávida com 16 anos, mal sabia cozinhar, lavar e passar roupa, limpar a casa, trocar fraldas, cozinhar, ações básicas para uma dona de casa dos anos 80, mas fui aprendendo. Eu tinha na minha mente que seria fácil, eu limparia a casa, lavaria e passaria a roupa, faria o almoço/jantar, café da manha e muito carinho, pronto esta era a minha receita de um lar feliz. Sonhava com uma casa com quartos, uma sala grande e confortável, um balanço no quintal, uma horta, um cachorro, marido e filhos amados e felizes. Tive muitas lições para aceitar que nem tudo que se sonha  pode ser alcançado

Qual foi minha trágica desilusão.

Primeira lição – Somos seres diferentes = você é um, e seu marido é outro

A educação, famílias diferentes, modos de pensar diferentes

Eu pensava de um jeito ele pensava de outro.

Minha vida foi assim, o que eu pensava, queria, esperava tudo isso foi inverso.

Conto o que eu pensava, esperava, e você imagina o outro jeito o oposto.

O QUE EU ESPERAVA, PENSAVA, SONHAVA

– Sonhava com uma casa com quartos, uma sala grande e confortável, um balanço no quintal, uma horta, um cachorro, marido e filhos amados e felizes.

– Um marido que fosse pai, conversasse com seus filhos, brincasse, contasse histórias, levasse para jogar bola.

– Um homem alegre, feliz com a família, feliz por existir.

Com problema claro, mas esses problemas ficassem para segundo plano, pois eu e seus filhos estávamos lá, então era só nos ver, amar e tentar ser feliz.

Muitas vezes chorei, me descabelei, supliquei, mas cansei.

Vi que eu não poderia continuar daquele jeito, pois eu tinha meus filhos, meus tesouros, que já se encontravam bem abalados emocionalmente.

Resolvi não colocar a culpa nele, levantar a cabeça e tentar recuperar o que ainda me era precioso, pois entendi que se eu os perdesse não seria culpa de meu marido e sim minha, pois a mulher é o esteio da casa, da família.

Então decidi rezar, cantar, alegrar meu lar, ser feliz não forçar a barra, trabalhar para ajudar nas despesas, controlar minhas emoções ser uma mãe uma verdadeira “MÃE”.

Como ser  uma verdadeira “MÃE”?

Uma mãe é acalanto, aconchego, felicidade, luz, paz.

Coisas simples que estão dentro do coração, vem de DEUS, nos é dado de presente com a maturidade, tipo “vó é mãe com açúcar”.

NUNCA se canse de seu filho(a), ame, abençoe, vele, chore, converse, ore, dobre os joelhos, olhe nos olhos, pergunte, esteja sempre lá, faça-se necessária, diga que os ama.

Nossos filhos são nossos maiores bens, nossas alegrias, nossa fortaleza.

Se seu filho esta bem, você vai estar, se ele sorri, você também sorri, se ele chorar você também chorara.

Estamos nesta vida de passagem, vamos fazer de nossa passagem um momento de alegria, paz e humildade.

Vamos deixar para nossos filhos lições de amor, alegria, doação ao próximo.

Esta doação pode ser a sua pelo seu filho.

NUNCA perca seu filho para as drogas, por pessoas destrutivas.

Você ira perde-lo sim um dia, mas que seja para a alegria de construir um lar, uma família ou sua vida em outro cidade ou país, mas que ele seja feliz = você feliz.

A dádiva de DEUS é essa ser “MÃE” e entender que colocamos no mundo seres que vão precisar de nós, para caminhar, falar, e entender o verdadeiro motivo desta passagem.

AMAR E SER AMADO = FELICIDADE E PAZ.

Que Deus te ilumine e faça de você uma benção para seu filho(a).

TEXTO: Cida Lemos

Vou contar-lhes uma estórinha 

Era uma vez um homem muito estranho  

que morava em cima de uma montanha 

Essa montanha era bem alta, La de cima dava 

 para ver uma plantação de milho 

   

Sua barba ele não fazia, suas unhas eram aparadas 

pelo roçar do cabo da enchada, da foice e das espigas 

que ele colhia. 

   

Um homem rústico e ao mesmo tempo carinhoso. 

Ele tinha uma bicicleta que usava para descer o morro,  

era muito engraçado ele sentava-se na bicicleta, erguia  

as pernas e fechava os olhos.  

   

Que felicidade o vento batia em seu rosto fazendo seus  

cabelos esvoaçarem, e ele gritava de alegria. 

   

   

Esse era o momento que ele mais gostava, e repetia todos os dias.  

   

   

 

   

   

   

Um certo dia ele estava muito preocupado, pois  

estava para chegar uma frente fria que poderia 

acabar com sua plantação, protegê-la era sua única  

preocupação naquele momento. 

   

Foi quando em uma de suas enxadadas…,

um grito aaaai!iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!! 

   

Vejam só uma cobra!  

Ele ficou surpreso uma cobra de rabo vermelho e

que ainda falava. 

   

Qual que é ta tentando me matar? 

   

 

   

Não é possivel que não tenha me visto!  

Exclamou a cobra muito braba. 

   

Me Desculpe, estou com a cabeça longe,  

só tentando evitar um desastre que possa vir a

 acontecer com minha plantação de milho 

   

Nenhum desastre se compara ao fato de meu rabinho ser partido, 

espero que você…Opa! Essa bicicleta é maneira! 

Posso dar uma volta? 

   

Minha bicicleta…, saia de perto dela, pois ela é muito

importante para mim.

 

Nossa  estou só olhando, que grosseria.

 

Você bem que podia me ensinar a andar nela.

Haaaaaaaa Haaaaaaa!

 Uma cobra andando de bicicleta, isso é hilário,

isso sem falar como.

Você nem mãos e pernas têm!

 

Se não quer emprestar é só falar não precisa gozar

 

 

 A cobra foi saindo dali cabisbaixa e triste, sem olhar para trás. 

– Ei espere! Disse o homem, arrependido de ter magoado a cobra.

Tudo bem, vou ensinar-lhe, mas preste atenção só uma vez,

pois tenho muito serviço para ser feito.

Disse o homem, com um pouco de receio,

pois não gostava de emprestar sua bicicleta para ninguém. 

A cobra subiu na bicicleta, colocou seu rabo no pedal

e a cabeça no guidão da bicicleta. 

Ficou muito engraçado, mas lá foi ela toda feliz. 

O homem ficou observando e achando impossível,

mas aceitou o fato de boa.

A observação foi até a cobra se perder de vista. 

 

O tempo passou e nada da cobra voltar.

O homem terminou seu serviçoe já estava furioso com a

 demora da cobra, na devolução de sua bicicleta. 

Sem perceber o tempo passado a cobra voltou toda feliz e

agradeceuao homem pelo prazer que ele havia lhe proporcionado. 

Mas sua raiva era tão grande por causa da demora que não

pensou duas vezes e soltou os cachorros na cobra. 

Sua irresponsável, folgada não me apareça mais na minha frente.

Sabe que horas são?

Montou na bicicleta e saiu soltando fogo pelas ventas. 

A cobra ficou la parada sem entender direito o que aconteceu. 

 

O tempo passou e a vida do homem voltou a mesma rotina de sempre. 

E a cobra ficava escondida só observando a descida e subida do morro

em cima da  bicicleta que ele fazia todos os dias. 

Num certo dia meio perdido em suas tarefas cotidianas com a plantação,

bateu a ponta da inchada no pé, e foi sangue para todo lado.

Ele se sentou numa pedra e começou a resmungar:

Meu Deus como vai acabar meu serviço, não posso nem andar direito com esse pé.

 Ali mesmo ele se recostou e ficou, estava meio tonto com febre, pois o ferimento foi fundo.

A cobra que observava tudo resolveu ajudar.

Com sua boca começou a mastigar umas ervas e as colocou em cima

do ferimento do pé do homem. 

A noite foi de vigília, ia até o rio pegava um pouco de água e colocava

na boca do homem, que ardia em febre, trocou as ervas a noite inteira,

pois ele estava tão quente que o sumo da erva evaporava na sua pele. 

 

O homem delirava, mas via o esforço da cobra em tentar ajuda-lo. 

O dia clareou e a cobra continuava ali do seu lado,

quando ele despertou estava ainda fraco, mas seu ferimento

havia se fechado e a febre acabou. 

Olhou em volta e viu a cobra toda enrolada do seu lado, saiu dali devagar e

sem fazer barulho para não acordá-la.

No outro dia ele levantou-se e foi para seu trabalho, mas a primeira

coisa que  fez foi procurar a cobra, ela estava lá,

mas escondida com medo da reação do homem ao vê-la. 

O homem chamou: – Cobra por favor aproxime-se. 

          Ela foi chegando meio receosa . 

Foi então que ele amavelmente disse-lhe: 

 Obrigado, você foi muito atenciosa para comigo, me salvou a vida,

nem sei como agradecer. 

E a cobra sem pensar respondeu:

Espero você vá na minha festa de aniversário a semana que vem,

bem…e também quero andar um  pouquinho na sua bicicleta 

  O homem sem pestanejar respondeu: -Esta bem, irei com prazer

ao seu aniversario, e pode andar na minha bicicleta. 

E assim foi durante toda a semana o homem trabalhava na plantação,

e a cobra andava de bicicleta. 

 

As vezes ele parava para observar a cobra na bicicleta, era muito engraçado

e ele não se conformava, como  ela conseguia. 

Ai pensava  com seus botões, “essa cobra é muito inteligente  e danada”. 

O dia do aniversário chegou, e homem chegou  na festa e ficou olhando a farra,

era cobra para todo lado, cobra verde, amarela, listrada, azul, e muitas outras cores.

A festa estava muito animada tinham muitos balões coloridos e as cobras

dançavam, pulavam. O homem se divertiu muito com a farra,

comer ele não comeu nada, também nem podia o cardápio era mesmo só para cobras. 

Festa                                                                                                                                                                                                                                                                             

       Tinha muita comida como:            

  bolo de rato, suco de sangue de morcego, bala de olho de coelho

e  muitas coisas gostosas para cobras.

Credo o homem até sentiu o estomago revirar. 

Na hora dos presentes a cobra estava muito animada

com todos, mas quando viu o pacote grande que homem

trouxe ficou ansiosa para abri-lo. 

 

  Quando a cobra abriu o presente, que alegria ela pulava, ela ria, dançava

Que surpresa, obaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

                       

Adivinha o que ela ganhou?

 

Claro uma bicicleta vermelha, vermelha como  como a cor do rabo dela. 

A cobra nem quis saber da festa, sentou-se na bicicleta e saiu

pedalando pelos pastos a fora, gritando de alegria. 

As outras cobras ficaram morrendo de inveja. 

E o homem voltou para casa feliz com a felicidade da cobra. 

Ali nascia uma eterna amizade.                                 

                                                    

LEMOS, Cida. Cobra andando de bicicleta. Caçapava: Caçapava, 1999.

Ler é chato. Será?

FONTE: Posted on 23/01/2010 by Revista Espaço Acadêmico 17 por Jaime Pinsky*

A idéia de que livro é chato só pode partir de quem não sabe o prazer que a leitura proporciona O tempo histórico não tem um compromisso muito grande com o tempo cronológico, ou mesmo o tempo psicológico: décadas no Egito dos faraós podem corresponder a anos no período da expansão ibérica ou meses do século XXI. A percepção da velocidade do tempo histórico decorre do ritmo dos acontecimentos, assim como da rapidez dos meios de transportes e comunicações. Talvez por isso, sempre que estamos em algum local tranqüilo, geralmente no interior, somos tentados a dizer que ali as coisas não acontecem e que é como se estivéssemos em pleno século XIX. É possível que, para evitar a idéia de que possamos ser vistos como retrógrados, ou fora do nosso tempo, busquemos acelerar tudo: músicas não podem ser lentas, filmes buscam ritmos alucinantes e, se não tiverem dois mortos por minuto de projeção, em média, são considerados acadêmicos. Propaga-se a idéia idiota que tudo que não é muito veloz é chato. O pensamento analítico é substituído por ‘‘achados’’, alunos trocaram a investigação bibliográfica por informações superficiais dos sites ‘‘de pesquisa’’ pasteurizados, textos bem cuidados cedem espaço aos recados sem maiúsculas e acentos dos bilhetes nos correios eletrônicos. O importante não é degustar, mas devorar; não é usufruir, mas possuir apressadamente. O tempo, o tempo correndo atrás. Não que eu queira fazer a apologia da lentidão e da ineficiência, mas um bom concerto é feito tanto de bons allegros quanto de dolentes adágios. Além disso (e Charles Chaplin já percebia isso no início do século XX, em Tempos Modernos), ser humano é dominar a máquina e não ser por ela dominado. E aí, a meu ver, se estabelece uma das principais distinções entre ler e ver televisão. Você pega o livro, olha a capa, a contracapa, folheia sensualmente suas páginas e escolhe, livremente, aquela que quer ler. Pode pular pedaços, começar pelo fim, reler várias vezes trechos que amou, para decorar, ou que odiou, para criticar. Desde que seja seu, você pode escrever no livro (para isso ele tem espaço em branco): livro rabiscado é sinal de leitura atenta. Nada como retomar um livro lido anos atrás e ler nossas próprias notas: se forem ingênuas, rimos com a condescendência de quem cresceu; se forem brilhantes, nos preocupamos com nossa estagnação. Você estabelece o próprio ritmo de apreensão do escrito, seja ele ciência, seja ficção. Tantas vezes me furtei lendo lentamente o final de um livro pelo qual me apaixonara e do qual não queria me separar… Já a telinha é autoritária. Ela começa o assunto quando bem entende, faz as pausas que quer, inserindo as propagandas que deseja, determina o ritmo, diz quando e para onde devo olhar. Se não estou no poder, então, é pior ainda. Tenho que ver jogo de time de que não gosto, pedaço de novela babaca, entrevistas sem sentido, assassinatos sem conta, tudo num volume superior ao que eu suporto, mas que não tenho como regular, pois estou sem o controle remoto nas mãos. Mesmo quando vejo um vídeo ou um DVD, em que posso controlar algumas dessas variáveis, lido com o personagem e a paisagem imaginados por outro, emboto a minha imaginação e me curvo diante de heróis e mocinhas prontos e iguais para todos, enquanto, no livro, cada um sonha como quiser e puder. Não é por outra razão que dificilmente gostamos dum filme baseado em livro que já lemos, mesmo quando a película é de boa qualidade como O Nome da Rosa ou Vidas Secas. Antes que alguém pense que sou contra o cinema, ou até a televisão, devo dizer que isso não acontece, mas é que ando mesmo um pouco preocupado. Já não há mais quase nenhum consultório, laboratório e até sala de espera em prontos-socorros de hospitais que não tenham a sua televisão. E, o que é pior, ligada. O infeliz chega quebrado, estropiado, ou apenas dolorido, e se lhe impinge humor chulo, falsas ‘‘pegadinhas’’, loiras igualmente falsas, com síndrome de eternas adolescentes, de botinha e coxas de fora, animando crianças de olhares perdidos, conversas de pessoas confinadas que não têm o que dizer, entrevistas com pessoas que estiveram confinadas e que continuam sem ter o que dizer, e por aí afora. A sala tem pouca iluminação, já nem sequer tem aquelas revistas semanais atrasadas. A luz que falta e o ruído que sobra impedem que aqueles que trouxeram seus livros possam ler. As pessoas olham para a telinha, olham-se umas às outras e à sua própria condição. Com um livro na mão poderiam estar viajando, sonhando, aprendendo, conhecendo gente e lugares interessantes, idéias fascinantes, desbravando, questionando, maravilhando-se. Contudo, continuam sentadas olhando umas para as outras e para a telinha que cobra o tributo da dependência, da elaboração de frases feitas e idéias gastas. A idéia de que livro é chato só pode partir de quem não sabe o prazer que a leitura proporciona. Assim, quero lançar aqui um pedido ou vários: aos médicos, para que iluminem melhor suas salas de espera, o que, além de deixá-las menos lúgubres, permitiria que as pessoas pudessem ler enquanto esperam. Aos hotéis, para que não se esqueçam de colocar luz de leitura nos quartos. Uns e outros poderiam manter uma pequena biblioteca ao alcance dos clientes. A concepção bastante corrente em nosso país de que diversão está sempre e necessariamente ligada ao ruído e ao álcool só pode partir de alguém que não gosta de fato do Brasil. E ele ainda merece uma oportunidade. Ou não?