Cidalemos's Blog

O pessoal estava procurando o documentário: A Vida é um Sopro.


Sinopse

A vida e obra de Oscar Niemeyer, um dos principais arquitetos brasileiros do século XX. É mostrado como Niemeyer revolucionou a Arquitetura Moderna com a introdução da linha curva e a exploração de novas possibilidades de uso do concreto armado, além de seus pensamentos sobre a vida e o ideal de uma sociedade mais justa.

 

Curiosidades

– O produtor Sacha idealizou o documentário em 1997, quando dirigia a programação da TVE Brasil e designou o diretor Fabiano Maciel para coordenar a cobertura da semana comemorativa dos 90 anos de Oscar Niemeyer.
– É o 1º documentário em longa-metragem do diretor Fabiano Maciel.
– Foi rodado em vídeo digital e em 16mm nos seguintes países: Brasil, Argélia, França, Itália, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal e Uruguai.
– As filmagens iniciais ocorreram no verão de 1998, mas o filme apenas foi lançado nos cinemas em 20 de abril de 2007.

Projeto futurista do escritório J. Mayer H. Arquitetos começa a ser construído na Alemanha

 

Batizado de Sonnenhof, empreendimento é formado por quatro edifícios multiuso, que abrigarão escritórios, lojas e apartamentos

Ana Paula Rocha

O projeto Sonnenhof, assinado pelo escritório J. Mayer H. Arquitetos, começou a ser construído em abril na cidade de Jena, na Turíngia, estado da Alemanha. O empreendimento futurista é formado por quatro edifícios multiuso, que abrigarão escritórios, lojas e apartamentos.

Fachada do Sonnenhof na Alemanha

O arquiteto optou por projetar os quatro edifícios nas bordas do terreno para criar, ao centro, um pequeno pátio urbano. Segundo o projeto, a composição dessa estrutura se assemelha a um pátio medieval, tipo de construção comum no centro da cidade de Jena. O pátio poderá ser usado para a prática de esportes, repouso e circulação de pessoas.

Junto a esse vão central, foram criados corredores de circulação entre as torres multiuso, que se conectam às ruas do entorno. O objetivo do arquiteto foi fornecer um fluxo livre para o tráfego do pedestre no complexo.

Destaque do projeto, as formas poligonais e geométricas das fachadas também foram utilizadas no piso e em elementos como assentos, luminárias e canteiros de flores, em um cenário futurista que atrai a visitação pública. A previsão é de que a construção do Sonnenhof seja concluída em 2012.

 

Aula Desenho primeiro ano

 

 

  Inscrições do Concurso CBCA para Estudantes de Arquitetura estão abertas

Participantes deverão projetar praça pública coberta de uso múltiplo para uma cidade com população entre 200 mil e 400 mil habitantes


Ana Paula Rocha

Divulgação:  CBCA
Em 2009, equipe da Universidade São Judas Tadeu venceu o concurso com o projeto de um terminal aeroportuário para Ribeirão Preto-SP

Estão abertas as inscrições da terceira edição do Concurso CBCA para Estudantes de Arquitetura. Neste ano, os participantes deverão projetar uma praça pública coberta, de uso múltiplo, para uma cidade com população entre 200 mil e 400 mil habitantes. O projeto deverá prever a construção do equipamento com aço. O complexo deverá incluir áreas com telhado, mas abertas para circulação, áreas fechadas e áreas externas ou descobertas. Entre os ambientes que deverão ser contemplados na praça, estão espaços de exposição e de eventos, de alimentação, de entretenimentos e jogos, um centro de escritórios e negócios, e espaços exclusivos para os empregados.
Os alunos integrantes das três equipes melhor classificadas receberão inscrições para o curso à distância sobre Introdução ao Uso do Aço, promovido pelo CBCA (Centro Brasileiro da Construção em Aço), além de manuais técnicos, livros e revistas sobre construção metálica, editados pela entidade. Os professores orientadores dos dois melhores projetos também poderão acessar durante um ano todo o material disponibilizado pelo SCI (Steel Construction Institute).
Além dos prêmios, a equipe vencedora representará o Brasil no 3° Concurso de Projeto em Aço para Estudantes de Arquitetura 2010, promovido pelo Instituto Latino-Americano de Ferro e Aço, que reunirá representantes da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Venezuela.
As inscrições ficam abertas até 30 de julho e podem ser realizadas gratuitamente no site do CBCA, onde também está disponível o regulamento completo da competição. O resultado será divulgado no dia 15 de agosto.
Em 2009, a vencedora do Concurso CBCA para Estudantes de Arquitetura foi a equipe da Universidade São Judas Tadeu, formada pelos alunos Wellington Tohoru Nagano, Anderson Carneiro Noris, Elis Mariam David Souza Duarte, Rafael Gustavo Rodrigues, Fernanda Ferreira da Silva e Gislaine Moura do Nascimento. Os estudantes projetaram um terminal aeroportuário para Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Um grupo de designers e empresas está determinado a facilitar a vida daquelas pessoas que gostam de ler antes de dormir. A Lili Lite é uma estante que possui uma luminária que se apaga quando colocamos um livro sobre ela. Além de servir de marca-pagina, dá um visual bacana ao ambiente.

Função semelhante tem a Luminária Mark, desenvolvida por Damjan Stankovic, e a Book-Sensitive Reading Lamp, desenvolvida pelos designers franceses Jun Yasumoto, Alban Le Henry, Olivier Pigasse e Vincent Vandenbrouck. Elas se apagam ou se acendem de acordo com a preseça ou ausência de um livro.

“Coincidência criativa” ou não, trata-se de uma ideia realmente simples, que talvez você até consiga fazer em casa. Melhor que pagar os 99 euros que estão pedindo pela estante.

 

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Igreja da Catedral
 
  
   
onde estão as palmeiras?
Esse deve ter sido uns dos motivos para mudar o nome, acho eu! rss
 
 
 
Esta é a rua das Palmeiras
 
Hoje conhecida como Rua: Conselheiro Moreira de Barros
 
 
 
 Hospital Santa Isabel
  
Ontem
  
Hoje
  
  
  
Foto do Cristo Redentor
 
  
 
 
Parte da Cabeça do cristo redentor antes de ser colocada
 
 
 
Foto aérea do centro de Taubaté
 
 
 
 
 
Foto aéra do local escolhido para futuras instalações da CTI – Taubaté
 
 
 CTI – No meio a Praça da Estrela
 
 Foto aérea do polo industrial – CTI – Companhia Industrial de Taubaté
 
Prédio do Relógio CTI
 
 
O Ex Presidente Getulio Vargas Visita a CTI – Taubaté/SP
 
 
 
Mercadão de Taubaté
 
 
 
 
 
 
Breganha do mercado de Taubaté
 
 
 
 
Igreja da Catedral
 
 
 
 Mercadinho Taubaté – 1926
 
 
 
 
 Praça da Igreja do Rosário 190?
 
 
 
Praça da Igreja do Rosário, 195?
 
 
 
 
Fonte – Acervo: Museu da Imegem e do Som de Taubaté – MISTAU
  
Oi pessoal esperem que gostem dessas fotos, Taubaté contém um cacervo muito rico de sua história. Essas fotos não me deixam mentir.

Mudar o Curso de Sua  Vida em Menos de Uma Semana

   O problema da maior parte dos guias de manifestação é que eles lhe ensinam todos os conceitos, mas não “o caminho das pedras”.

   Se você já se pegou pensando “O que que eu faço com toda essa informação?”, então você sabe exatamente do que eu estou falando.

   A verdade é que a maioria dos professores de manifestação não sabem aplicar o que eles mesmos ensinam. Eles não entendem os princípios científicos por trás da Lei da Atração, então eles não sabem o que lhe dizer quando o seu processo é lento ou tem problemas.

    Após estudar com os grandes empreendedores e milagreiros de diferentes culturas e religiões, coloquei as minhas descobertas em um e–book.

    Quando você ler o meu e–book, você verá que você pode escolher o que quer ter e o que pode ser neste mundo, dentre as muitas realidades possíveis.

    Quando você ler o método que irei lhe mostrar, você poderá manifestar o que quiser em sua vida.

    Isso é exatamente como os Milagreiros, Kahunas e Shamans fazem.

   Da primeira vez em que me deparei com este método, fiquei empolgadíssimo e ele mudou a minha vida para sempre.

INTRODUÇÃO

A variedade e os aspectos peculiares das tradições e do folclore da região de Taubaté resultaram dos contatos entre as culturas indígenas, branca e negra, das influências do meio e da criatividade do taubateano.

    Apesar da modernização dos costumes e da evolução sócio-econômico e cultural de Taubaté, permanecem ainda tradições e manifestações folclóricas que formam precioso acervo de cultura espontânea que se traduz em variadas expansões da alma popular: nas alegres festas religiosas; na preciosa ingenuidade da cerâmica popular e num “sem fim” de outros costumes pitorescos, testemunhos de um passado ainda presente, embora às vezes, com novas características que o tempo lhe dá.

    “É uma herança que encerra idéias, pensamentos, usanças, sabedoria e espírito criador do povo, devendo ser preservada “de modo que às gerações atuais lhes dêem seus traços, ou o impregnem de sua própria criação”. (M. Diegues Júnior – 1976:9).

    O reconhecimento do Folclore, como ciência e das manifestações folclórica como expressão da cultura espontânea de um povo, de sua maneira de pensar, sentir e agir, sem influências eruditas, tem incentivado no país, estudos, pesquisas, divulgação e movimentos culturais que visam interpretar essas manifestações, conhecer os traços da cultura material e espiritual do povo brasileiro, e conservar aquilo que é autenticamente nosso.

“O processo de colonização do Vale do Paraíba so Sul iniciando nos primórdios do século XVIII, foi-se acentuando à medida que se tornava mais freqüente a busca de pedras e metais preciosos, além das expedições organizadas com o objetivo de aprisionar e escravizar os indígenas, primitivos habitantes da região.

    Em 1636, surge o primeiro núcleo povoado, denominado Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté, e pouco depois as Vilas de Santo Antonio de Guaratinguetá e Nossa Senhora da Conceição de Jacareí, logo seguidas de muitas outras.

    Sem dúvida, o surgimento das vilas no Vale do Paraíba também foi motivado pela necessidade de criar pontos de abastecimento para viajantes e aventureiros que partiam de São Paulo, ou Rio de Janeiro, em busca do ouro. dessa forma, as vilas do vale do Paraíba se tornaram uma espécie de retaguarda econômica das áreas mineradoras do centro e do oeste brasileiro. Algum tempo depois da decadência do “ciclo do ouro” em Minas Gerais, no final do século XVIII, o plantio do café atinge o Vale do Paraíba. No decorrer do século XIX, esse produto transforma profundamente toda a região, em seus aspectos políticos, sociais e econômicos. A riqueza gerada pelo café, o “ouro negro”, como também era conhecido, possibilitou o surgimento da aristocracia rural – vale – paraibana, que tinha seu expoente na figura dos Barões do café, homens influentes e poderosos, que acumularam fortunas com o “maior fenômeno agrícola do século”.

    Nesse período, o Vale do Paraíba recebeu um contingente de escravos africanos jamais vistos em sua história. O trabalho escravo nas fazendas de café foi vital para essa cultura, que encontrou no solo vale-paraibano as condições propicia ao seu cultivo.

Cida Lemos

Enfiando a colher e todos os talheres, se necessário: a que da violência doméstica e a responsabilidade de cada um

Eva Paulino Bueno
 

Resumo

idosos, é um problema para toda a sociedade. A criança que testemunha e/ou sofre violência, vai ser um adulto violento. Cada pessoa é responsável pela erradicação desta doença social, que toma muitas formas, algumas públicas, algumas privadas.

 
: A violência doméstica, especialmente os ataques às mulheres, crianças,

Palavras-chave
 

 

: violência doméstica, assassinatos, estupros, responsabilidade.

O que você
está fazendo para acabar com a violência doméstica?

Todos nós, em algum ponto de nossas vidas, ouvimos algém dizer, “Em briga de marido e mulher, ninguém deve enfiar a colher”. Realmente, é complicado e delicado encararmo a possibilidade de nos metermos em uma situação doméstica, em que cada pessoa e cada casal tem uma dinâmica própria, muitas vezes incompreensível para quem está de fora. Os desencontros, os desacertos, podem ocorrer com os casais jovens e com todos os demais, até com gente que está junta há muitos anos. Mas existe uma grande diferença entre o que poderíamos chamar de uma discussão ou desacordo e o que se constitui em uma briga com agressão física, onde um dos parceiros pode ser ferido ou até morto. Como eu no momento entendo mais do que se passa nos Estados Unidos, vou usar esta oportunidade para reflexionar sobre o que aqui parece ter chegado a um ponto crítico, a violência doméstica em geral, e a violência contra mulheres grávidas em particular: atualmente— pelo menos pelo que se diz na mídia—o assassinato é a forma mais comum para mulheres grávidas nos Estados Unidos Elas são mortas pelos companheiros que não querem continuar na relação, ou por aquele que não quer pagar para manter a criança, e em alguns casos, até por outras mulheres, por várias razões, todas incríveis e brutais. Mas, antes de seguirmos adiante, convém esclarecer que não somente as mulheres sofrem violência no espaço do lar. As crianças e os idosos são vítimas constantes e, em alguns casos, os homens também são atacados dentro de suas póprias casas. Em geral os que sofrem violência são os mais fracos fisicamente, as mulheres, as crianças e os idosos, mas também as pessoas com alguma debilidade mental estão literalmente na linha de tiro, porque não conseguem defender-se devidamente. Estudos indicam que a criança que testemunha violência dentro de sua cas
— mesmo quando ela não é a vítima direta — mais tarde vai ser uma pessoa violenta. As atitudes negativas infelizmente têm uma grande força na formação da criança, que passa a achar que é normal que as pessoas se ataquem fisicamente e se machuquem para fazer veler sua opinião, sua idéia. O dano emocional e psíquico aumenta, com a acumulação da violência. Estudos também demonstram que as crianças que são vítimas de abuso sexual mais tarde se tornarão abusivos com pessoas mais jovens, ou outros mais frágeis que estejam sob sua responsabilidade. É possível dizer-se, então, que as chances de uma pessoa criada em ambiente de violência se tornar em uma pessoa violenta é muito grande. Mas o que diremos de uma sociedade que acredita que o marido bater na mulher “de vez em quando” é bom para ela? Ou daquela que acha que ninguém tem o direito de interferir quando os pais estão disciplinando os filhos, mesmo que esta “disciplina” esteja sendo dada em forma de uma surra violenta? Ninguém escapa desta brutalidade, se a sociedade acha que está bem maltratar, bater, surrar, dar socos. Quem vai parar a mão do sadista que se desforra de seus próprios problemas e suas inseguranças se a ideologia diz que é um direito que ele tem? Mas, logicamente, podemos dizer que nenhuma sociedade que diz ter o mais mínimo verniz de civilizada acha que está bem permitir que tais atos ocorram. No entanto, eles ocorrem, e no mundo inteiro. E, repetindo o que eu disse acima, os que sofrem mais com esta violência são as mulheres, as crianças, e os idosos. Tomando o caso das mulheres em especial, vejamos como se pode entender que muitas mulheres, inclusive educadas, bonitas, ricas, saudáveis, se deixam subjugar dentro de uma relação, e chegam ao ponto de serem assassinadas. Cada um de nós infelizmente sabe pelo menos um caso, e a cada vez ficamos boquiabertos, sem poder entender. “Por que ela não saiu de casa?” “Por que não denunciou o atacante?” “Como suportou tanto tempo de humilhações e sofrimento?” Os ataques fatais a mulheres são feitos, na maioria das vezes, por um homem que a conhece bem, e acontecem ao fim de uma relação abusiva e violenta. E, incrivelmente, já houve casos em que a própria vítima é considerada culpada: “Se não o abandonou, foi porque gostava de apanhar.” Como podemos entender que uma coisa tão bárbara como a violência doméstica, ao invés de diminuir e desaparecer com o aumento da educação, da presença de forças policiais, de tecnologia que deveria permitir que as vítimas conseguissem socorro mais rapidamente, esteja aumentando? Eu já ouvi alguém dizer que a violência contra as mulheres aumentou com a maior liberdade das mulheres, com o advento do “feminismo”. Isto sempre é dito como se a culpa fosse das “feministas”, e que portanto, de alguma forma, os que cometem a violência estão justificados dentro do panorama geral da sociedade: eles foram provocados com a diminuição do seu poder, do domínio sobre seu “território”, tinham o “direito” de reagir. Obviamente, esta é uma idéia absurda, que, outra vez, desloca e coloca a responsabilidade nas vítimas pelo ataque que sofrem. O caso da aluna de mini-saia que foi vaiada e quase agredida aí no Brasil recentemente, é um exemplo desta mentalidade troglodita. A culpa, alguns disseram, foi dela, porque estava “provocando” os  homens. Por que eles a atacaram? Porque se sentiram inseguros diante da sua beleza e da sua percebida autoconfiança. Nada desloca o centro de gravidade de um homem inseguro como a presença de uma mulher que não coloca como sua prioridade máxima alisar o pequeno ego daquele homem, e que, pelo contrário, mostra que não precisa do seu “poder fálico” para se sentir gente. Atrás do caso da aluna, existem milhares de outros, alguns inclusive de assassinato. Também, infelizmente, aqui todos sabemos de vários exemplos que são uma vergonha para todos nós, e não necessito repetilos. Mas voltando à questão do percebido aumento da violência contra mulheres nos últimos anos, e procurando entender a sua razão, vamos constatar que enquanto as mulheres viviam exclusivamente dentro do espaço doméstico, a violência existia, mas o que sofriam raramente chegava ao domínio público. O seguindo a tradição, punha e dispunha da vida das filhas, esposas, mulheres pertencentes à sua casa, mesmo nas famílias mais pobres. O espaço doméstico era o repositório das grandes tragédias pessoais, que ali permaneciam, enterradas em toalhinhas de crochê e lágrimas derramadas detrás das portas. Os grandes romances mundiais nos dão uma amostra vívida dos horrores sofridos, das dores caladas, escondidas. Os primeiros estudos sociológicos, ainda que imperfeitos na coleta e interpretação dos dados, nos dão uma idéia do que se sofria dentro de quatro paredes, mesmo antes que houvesse minissaias, feministas, faculdades para as mulheres. Esta violência podia não ser física, mas os resultados causavam o mesmo dano. Um dos textos mais interessantes que nos dá uma idéia muito clara destes danos é o conto “O papel de parede amarelo”, de Charlotte Perkins Gilman. Neste conto, a esposa é encerrada em um quarto depois do nascimento do filho, porque seu marido crê que ela está “enfraquecida”. Mas este quarto é uma prisão que ele construiu, e que a leva à loucura. Outro conto muito interessante é “O travesseiro de penas”, de Horacio Quiroga. Aqui, a esposa, recém casada com um homem frio e insensível, cai doente e enfraquece, vai perdendo as forças e morre, completamente exaurida. Quando retiram o corpo da cama onde havia morrido, se vê que o travesseiro onde tinha a cabeça continha um animal que havia sugado todo o sangue da mulher pela sua cabeça. Podemos também destacar Casmurro não há de concordar que o ciúme doentio de Bentinho é a razão direta da destruição de Capitu, e mesmo de seu filho? O fato, puro e simples, é que somente os homens (e, também, claro, as mulheres) sem auto-confiança, e com complexo de inferioridade, necessitam atacar os seus parceiros fisica e verbalmente, para submetê-los, humilhá-los, e assim conseguir uma pseudo superioridade. Uma forma destes ataques é a violência sexual. De acorco com a Sexual Violence Resource Center pater familias,Dom, de Machado de Assis. QuemNational (NSVRC) – Centro de recursos nacionais sobre violência sexual –, a violência sexual “é uma doença prevenível”. O NSVRC, que foi criado com fundos recebidos dos “Centros para a prevenção e controle de doenças”, desenvolveu-se como o principal centro de informação de recursos relacionados a todos os aspectos da violência sexual nos Estados Unidos. O NSVRC coleta  dissemina vários tipos de recursos, tais como estatística, pesquisa, estatutos, material para treinamento de pessoal que lida com estes problemas, assim como iniciativas de prevenção e programas de informação. Na página da NSVRC, encontramos a informação que, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre a Violência Contra Mulheres, “1 in 6 women and 1 in 33 men in the United States has experienced an attempted or completed rape at some time in their lives. mulheres, e 1 em 33 homens nos Estados Unidos sofreram tentativa de estupro, ou uma violação em algum ponto de suas vidas”. Neste documento, localizado neste endereço 1 — “Uma em seis

Publications_NSVRC_Booklets_Sexual

-Violence-and-the-Spectrum-of-

Prevention_Towards-a-Community-

Solution.pdf que não há só uma razão para a

estupro/violação, e que as razões jamais se encontram só no indivíduo. De fato, como o texto aponta, “uma combinação de forças — tanto as que aumentao o

risco de violência (fatores de risco) e aquelas que reduzem as chances da ocorrência de violência (fatores protetivos) determinam se uma violência sexual ocorrerá ou não. Então, sempre que ocorra um estupro, embora seja o indivíduo o perpetrante, sempre a raiz do mal está na sociedade que acoberta, justifica, perdoa o criminoso, quando não culpa a própria vítima (tal como no caso do ataque à estudante de São Paulo!). Como a

 
 

 

, os autores argumentam

prevalence, incidence, and consequences ofviolence against women: findings from the
national violence against women

survey.

Justice; 2000. Report NCJ 183781.

Tjaden P, Thoennes N. Full report of theWashington (DC): National Institute of família é a primeira sociedade que forma o indivíduo, a falta de apoio emocional e de segurança para os membros da família é o primeiro fator a estabelecer no indivíduo o propensão à violência em geral, e à violência sexual em particular. A sociedade circundando a família provê outros fatores, tais como a falta de emprego e a ausência de castigos para a violência. No Brasil, como sabemos, ainda há o ditado, “Mulher de malandro, gosta de apanhar”. Em outras palavras: ela gosta de apanhar, por isto se torna mulher de malandro. Em outras palavras ainda: ela faz as próprias condições do seu sofrimento e do ataque contra ela. Em uma sociedade em que a mulher é considerada inferior, e sujeita ao homem, a violência contra ela, especialmente a violência sexual, o estupro, vai se tornar norma. Outro fator que predispõe o indivíduo à violiencia sexual é um entendimento do

poder que pode ser conseguido (em geral pelo homem, mas também pela mulher), que deve ser obtido e mantido a qualquer custo. Logicamente, um país ou uma comunidade que tolera a violência, que glorifica o poder sobre outras pessoas, é também aquela sociedade que tende a colocar a culpa na vítima: “ela estava de minissaia, por isto foi atacada e vaiada”. Isto é: a culpa foi dela, não dosatacantes. Dois outros fatores, como aponta a NSVRC, facilitam a existência de violência sexual: um sentido de que a dominação é fator predominante na construção da masculinidade, e a crença na sacralidade absoluta do espaço doméstico. Em outras palavras, “em briga de marido e mulher, não se deve meter a colher”.
como um bem de grande valia, O interessante deste ditado é que, como sabemos, muitas vezes a violência do marido contra a mulher ocorre até fora da casa. Então, seria como se o homem, cuja masculinidade foi alimentada da noção da sua superioridade, dentro de um sistema de glorificação da violência, sinta que o corpo da mulher é o seu espaço doméstico frequentemente, o homem ataca sua mulher até em público, e não admite que ninguém a defenda porque, no seu entender, sabemos de casos terríveis que ilustram esta realidade, infelizmente. Como muitos de nós podemos tristemente nos lembrar, houve um marido advogado aí no Paraná, há uns 30 anos atrás, que matou a mulher de ciúme, alegando que ela estava “tendo um caso”, se defendeu a si mesmo com grande estardalhaço e cobertura da mídia, conseguiu se eleger deputado por causa da fama que adquiriu. Com aquele caso, a sociedade paranaense estava dizendo (naquele tempo, pelo menos) que não tem problema matar a mulher, desde que o assassino seja bom de papo, jogue a culpa na vítima, e se proclame o “macho ofendido”. O que fazer então, para diminuir a violência doméstica, o estupro, a violência contra mulheres, e também crianças e idosos? Eu acho que a NSVRC está correta quando diz que simplesmente punir os criminosos não resolve a situação. Cada sociedade tem que tomar responsabilidade pelos fatores que podem ser controlados antes que o indivíduo chegue a pensar que não tem problema maltratar alguém que esteja sob seu poder. Dentro da família, por exemplo, cada vez que os pais tratem as filhas como cidadãs de segunda categoria, em comparação com os filhos, estão alimentando estas tendências. Na sociedade civil, cada vez que um homem maltrate sua mulher e seja “desculpado”, está criando mais violência. Então, para concluir, em briga de marido e mulher, todos estão envolvidos, quer queiram, quer não. A sociedade que aceita a violência é tão culpada como o perpetrador direto da violência. E as pessoas que assistem a estes ataques e não procuram de alguma forma proteger a vítima, também são igualmente culpadas. Assim, se você algum dia se deparar com um homem batendo em uma mulher, ou pais “castigando” os filhos brutalmente, tente fazer algo. Chame a polícia. Tente dissuadir o atacante até que chegue a polícia. Se aquela mulher, aquela criança, aquele idoso, aquela pessoa com capacidades mentais diminuídas é atacado na sua frente e você não faz nada, VOCÊ TAMBÉM É CULPADO/A. . Por isto, muitoela é coisa sua. Muitos de nós

 Americanas, Brasileira, e Norte Americana.

 
 

 

EVA PAULINO BUENO é Professora de Espanhol e Portugues, Literaturas Latino

 

DESEJO

DesejoDesejo primeiro, que você ame, e que amando, também seja amado.

E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde magoa.

Desejo pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que em pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar,

E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos;

Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco, porque isso é fácil mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer e que sendo velho não se dedique ao desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste; não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustificados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal; porque assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.

E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga “Isso é meu”, só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher, e que sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar. Victor Hugo

VOCÊ APRENDE…..

Depois de algum tempo você aprende a diferença,  a  sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. 

 E você aprende que amar não significa apoiar-se,  e quecompanhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguidae olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. 
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demaispara os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o Sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

 
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-las, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

 
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

 
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

 
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

 
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo, e se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

 
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

 Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

Que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

“Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.”

Willian Shakespeare

O amor kármico                        

Publicado em: 21/07/2010

Por: Antônio Tigre

O medo de ficar só faz o ser humano cometer insanidades. Mesmo que tenha nascido sozinho  e irá morrer só. Construímos castelos sólidos, que certamente  um dia desmoronaram. Era uma vez um sábio que não sabia expressar sua verdade. Era reprimido por seu próprio ego.  A sinceridade da alma dói nas entranhas, principalmente quando ainda estamos entalados em nossas próprias mentiras. Enraizados em formas primitivas de comportamento que nos aprisionam cada vez mais profundamente neste mundo de ilusão. Satisfazer aos caprichos do ego é tarefa impossível.    

Como um passarinho na gaiola, um hamster em sua roda ou um peixe no seu oceano de vidro, estamos presos nas sensações do passado ou do futuro. Vivemos num aquário de ilusões, enquanto no espaço ao lado, na pet shop da vida, o peixe se apaixona pelo porquinho da índia, porém não podem se amar devido à ilusão de que são diferentes do todo, diferentes de Shiva, o dançarino cósmico.

Então em um ato impensado, o peixe faz uma sequência de piruetas circenses e  pula do aquário em busca de seu amor platônico. Quando cai no amontoado de feno, percebe que seu companheiro indiano está no outro extremo em estado meditativo. Quando percebe a presença de seu amado fica trêmulo e o ar lhe falta. Sufocado pelo seu amor não correspondido, nosso herói cai em um pranto estridente que desperta o porquinho estrangeiro de suas contemplações ocultas.

Percebendo a presença estranha deste ser divino, ele se levanta trazendo com sigo sua bola de pelos. Sente o cheiro doce do peixe de rio. Arregala os olhos embriagados pelo reluzir de suas escamas douradas. O ser aquático já quase não consegue respirar de tanta emoção, sufoca-se com as próprias  palavras que entalam em suas guelras. Então, por um instante, estão cara a cara, focinho e nariz colados , todos os focos do Universo se voltam para o momento presente da sinceridade do amor. Todas as sementes germinam, o pôr-do sol-brilha, as flores desabrocham.  Porém,  no segundo seguinte, o instante passou. O peixe é cruelmente devorado em 3 etapas: cabeça, espinha dorsal e rabo. Mais um prejuízo para o comerciante de animais, fruto da ilusão do amor não correspondido.

Repetimos vida após vida os mesmos atos kármicos e vivemos intensamente a ilusão dos desejos. O mundo dos sentidos gera instantes de felicidade extrema e horas de agonia passiva  ao invés de estarmos constantemente imersos no êxtase interior. Quando a fumaça da ilusão se dissipa, através das práticas espirituais, podemos ver a luz divina que realmente habita as partículas do universo.
 
O divino amor habita cada partícula do Universo.

O suspiro é o primeiro alerta,

ele nos informa quando estamos só,

mesmo que do nosso lado tenha muitas pessoas.

                                                 Cida Lemos

A imparcialidade das chamas, em imagens e palavras

por José de Souza Martins

Percorri os escombros da favela incendiada, no Jaguaré, no dia seguinte. Num canto, ainda saía fumaça da madeira caída. O fogo comeu os barracos por cima, até chegar ao chão que, molhado pela água dos bombeiros, reteve muita coisa chamuscada ou parcialmente queimada. Roupas coloridas pareciam confete sobre o solo negro. Quase 350 famílias ficaram sem nada.

A frase interrompida pelo fogo em uma página de fascículo da Secretaria da Educação diz que é texto sobre “os direitos da criança”. Outra página, queimada pelas bordas e retorcida, no que sobrou propõe “questões de compreensão”: “Ao conjunto de pessoas que habitam determinado lugar é dado o nome de população. Existem, por exemplo, a população mundial, a população brasileira, etc. A quais populações você pertence?” A criança dona do caderno não teve tempo de responder que pertencia à população da favela Diogo Pires, São Paulo, Brasil, nem poderá fazê-lo pois a favela não existe mais.

Em diferentes pontos do terreno recoberto de cinza e carvão, talheres, especialmente garfos, estão espalhados ao redor de determinados pontos, ao lado de canecas partidas de porcelana e pratos cheios com uma sopa de carvão. Ali existiram as mesas improvisadas do pão nosso de cada dia. Em vários pontos, o calor estourou saquinhos de plástico com alimentos: aqui, um pacote de arroz Piccinin; ali, um pacote de feijão Prato Bom; acolá, um pacote de arroz Pateko; mais adiante, um pacote de macarrão Renata, “com ovos”, esclarece o invólucro. Num outro ponto, salsichas e cabeças de alho transformadas em carvão estão espalhadas pelo chão.

Na direção da Rua Diogo Pires, um barraco ficou parcialmente de pé. Num cômodo que era quarto e cozinha, um tabique divide duas imaginárias metades, construído com restos de uma placa de posto de gasolina. Servia como privada e banheiro. Aparentemente, a família havia acabado de jantar. Na cuba e sobre a pia de aço inoxidável pratos recém usados, talheres. Na parede, com um rombo aberto pelo fogo, um bonito armário branco de portas verdes. Sob a pia, um gaveteiro envernizado, uma das gavetas aberta, o conteúdo esvaziado por alguém na pressa de fugir. Encostado ao tabique do banheiro, o estrado de uma cama de casal: para a família ter espaço durante o dia, a cama era desmontada. Penduradas num canto do estrado, coloridas roupas de crianças.

Lá fora, fogões a gás, geladeiras e máquinas de lavar roupa, queimados, cobrem o terreno enegrecido e encharcado. Para que morador de favela, morando em precário barraco de madeira, quer máquina de lavar roupa? O monturo tem uma mensagem: os bens de consumo duráveis como investimentos na casa imaginária, a casa que esperam ter um dia, que corresponda à realidade daquelas coisas. São sinais de esperança, modos de se equiparem para dias melhores como os dos ex-favelados do condomínio ali do lado, que há pouco receberam seus apartamentos do governo do Estado e da Prefeitura.

Nas proximidades, dois homens conversam. “Isso é castigo”, diz um deles. Irrito-me e comento: “Estranho! Só pobre é castigado. Só favela pega fogo, queimando casa de montão.” Um deles responde, surpreso: “É mesmo!” E se retiram. Quatro crianças caminham na minha direção: “Moço! Tira uma foto?” Tiro. “Quando é que a gente vai aparecer na televisão?” Os pobres querem ser vistos. Um senhor muito simples se aproxima, trazendo pela mão o menino Vinicius, limpo e arrumadinho, como sempre acontece com crianças e adultos de favela: compensam na aparência o que lhes falta na vida. Quer que tire uma foto de seu filho pequeno.

Alguns cachorros perambulam. Um deles se deita encostado ao resto de uma parede. “Está esperando o dono, que morava aí; deve estar com fome”, comenta a moradora do barraco vizinho, que não foi queimado. A uma vizinha diz que o incêndio começou quando um homem, na outra ponta da favela, quis pôr fogo na mulher. Ela responde: “Tem que linchar ele! Não lincharam ainda?” As chamas da imaginação vão tomando conta de todos para explicar o inexplicável.

Ali perto, encontro o corpo carbonizado de um gatinho, que não conseguiu escapar. Sinal de fogo rápido. Se os vizinhos não tivessem corrido para retirar crianças pequenas, algumas delas teriam sido consumidas pelo fogo que se espalhou depressa. Duas gêmeas foram retiradas de um barraco por moradores, enquanto outros vizinhos retiravam seus sete irmãos e a mãe carregava uma filha paraplégica. Aqui e ali, alguns moradores desabafam, vários com forte sotaque nordestino: “Saí com a roupa do corpo. Ficou tudo pra trás.”

Poderia não ter ficado. Bem ao lado, erguem-se os novos e belos edifícios de um programa habitacional do Governo do Estado e da Prefeitura, o terreno ajardinado, um menino andando de bicicleta na calçada. É parte do projeto de urbanização da favela, apartamentos entregues aos moradores há pouco tempo pelo governador. Com a novidade, em relação ao Cingapura: além de apartamentos de dois quartos, há varandas de acesso e também apartamentos de três quartos, para as famílias maiores. Há 6 meses a Prefeitura tenta adquirir do dono o terreno invadido pelos favelados da “Diogo Pires”, abandonado por uma empresa de reparação de vagões ferroviários. Já há um projeto pronto para extensão do condomínio para aquela área e construção de apartamentos para 400 famílias. Propriedade privada, o Governo do Estado nada pode fazer enquanto não se tornar proprietário do terreno. Não fosse esse empecilho, os prédios já estariam adiantados, como vários ao lado e a favela não estaria lá.

Já no fim da tarde, numa das pontas da favela aparece um grupo que vem trazer lanches e café com leite para os desalojados. Na outra ponta, um homem chega discretamente com seu automóvel carregado de pacotes de leite e os distribui. Na igreja do Jaguaré, um jovem casal, vindo de São Caetano, traz roupas para as vítimas. No cenário escuro dos caibros e paredes carbonizados, bate forte o coração luminoso dos que se esquecem do eu e se pensam como nós.

Publicado em O Estado de S. Paulo [Caderno Aliás, A Semana Revista], domingo, 18 de outubro de 2009, p. J3.

Fonte: Posted on 24/02/2010 by Revista Espaço Acadêmico