Cidalemos's Blog

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Vou contar-lhes uma estórinha 

Era uma vez um homem muito estranho  

que morava em cima de uma montanha 

Essa montanha era bem alta, La de cima dava 

 para ver uma plantação de milho 

   

Sua barba ele não fazia, suas unhas eram aparadas 

pelo roçar do cabo da enchada, da foice e das espigas 

que ele colhia. 

   

Um homem rústico e ao mesmo tempo carinhoso. 

Ele tinha uma bicicleta que usava para descer o morro,  

era muito engraçado ele sentava-se na bicicleta, erguia  

as pernas e fechava os olhos.  

   

Que felicidade o vento batia em seu rosto fazendo seus  

cabelos esvoaçarem, e ele gritava de alegria. 

   

   

Esse era o momento que ele mais gostava, e repetia todos os dias.  

   

   

 

   

   

   

Um certo dia ele estava muito preocupado, pois  

estava para chegar uma frente fria que poderia 

acabar com sua plantação, protegê-la era sua única  

preocupação naquele momento. 

   

Foi quando em uma de suas enxadadas…,

um grito aaaai!iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!! 

   

Vejam só uma cobra!  

Ele ficou surpreso uma cobra de rabo vermelho e

que ainda falava. 

   

Qual que é ta tentando me matar? 

   

 

   

Não é possivel que não tenha me visto!  

Exclamou a cobra muito braba. 

   

Me Desculpe, estou com a cabeça longe,  

só tentando evitar um desastre que possa vir a

 acontecer com minha plantação de milho 

   

Nenhum desastre se compara ao fato de meu rabinho ser partido, 

espero que você…Opa! Essa bicicleta é maneira! 

Posso dar uma volta? 

   

Minha bicicleta…, saia de perto dela, pois ela é muito

importante para mim.

 

Nossa  estou só olhando, que grosseria.

 

Você bem que podia me ensinar a andar nela.

Haaaaaaaa Haaaaaaa!

 Uma cobra andando de bicicleta, isso é hilário,

isso sem falar como.

Você nem mãos e pernas têm!

 

Se não quer emprestar é só falar não precisa gozar

 

 

 A cobra foi saindo dali cabisbaixa e triste, sem olhar para trás. 

– Ei espere! Disse o homem, arrependido de ter magoado a cobra.

Tudo bem, vou ensinar-lhe, mas preste atenção só uma vez,

pois tenho muito serviço para ser feito.

Disse o homem, com um pouco de receio,

pois não gostava de emprestar sua bicicleta para ninguém. 

A cobra subiu na bicicleta, colocou seu rabo no pedal

e a cabeça no guidão da bicicleta. 

Ficou muito engraçado, mas lá foi ela toda feliz. 

O homem ficou observando e achando impossível,

mas aceitou o fato de boa.

A observação foi até a cobra se perder de vista. 

 

O tempo passou e nada da cobra voltar.

O homem terminou seu serviçoe já estava furioso com a

 demora da cobra, na devolução de sua bicicleta. 

Sem perceber o tempo passado a cobra voltou toda feliz e

agradeceuao homem pelo prazer que ele havia lhe proporcionado. 

Mas sua raiva era tão grande por causa da demora que não

pensou duas vezes e soltou os cachorros na cobra. 

Sua irresponsável, folgada não me apareça mais na minha frente.

Sabe que horas são?

Montou na bicicleta e saiu soltando fogo pelas ventas. 

A cobra ficou la parada sem entender direito o que aconteceu. 

 

O tempo passou e a vida do homem voltou a mesma rotina de sempre. 

E a cobra ficava escondida só observando a descida e subida do morro

em cima da  bicicleta que ele fazia todos os dias. 

Num certo dia meio perdido em suas tarefas cotidianas com a plantação,

bateu a ponta da inchada no pé, e foi sangue para todo lado.

Ele se sentou numa pedra e começou a resmungar:

Meu Deus como vai acabar meu serviço, não posso nem andar direito com esse pé.

 Ali mesmo ele se recostou e ficou, estava meio tonto com febre, pois o ferimento foi fundo.

A cobra que observava tudo resolveu ajudar.

Com sua boca começou a mastigar umas ervas e as colocou em cima

do ferimento do pé do homem. 

A noite foi de vigília, ia até o rio pegava um pouco de água e colocava

na boca do homem, que ardia em febre, trocou as ervas a noite inteira,

pois ele estava tão quente que o sumo da erva evaporava na sua pele. 

 

O homem delirava, mas via o esforço da cobra em tentar ajuda-lo. 

O dia clareou e a cobra continuava ali do seu lado,

quando ele despertou estava ainda fraco, mas seu ferimento

havia se fechado e a febre acabou. 

Olhou em volta e viu a cobra toda enrolada do seu lado, saiu dali devagar e

sem fazer barulho para não acordá-la.

No outro dia ele levantou-se e foi para seu trabalho, mas a primeira

coisa que  fez foi procurar a cobra, ela estava lá,

mas escondida com medo da reação do homem ao vê-la. 

O homem chamou: – Cobra por favor aproxime-se. 

          Ela foi chegando meio receosa . 

Foi então que ele amavelmente disse-lhe: 

 Obrigado, você foi muito atenciosa para comigo, me salvou a vida,

nem sei como agradecer. 

E a cobra sem pensar respondeu:

Espero você vá na minha festa de aniversário a semana que vem,

bem…e também quero andar um  pouquinho na sua bicicleta 

  O homem sem pestanejar respondeu: -Esta bem, irei com prazer

ao seu aniversario, e pode andar na minha bicicleta. 

E assim foi durante toda a semana o homem trabalhava na plantação,

e a cobra andava de bicicleta. 

 

As vezes ele parava para observar a cobra na bicicleta, era muito engraçado

e ele não se conformava, como  ela conseguia. 

Ai pensava  com seus botões, “essa cobra é muito inteligente  e danada”. 

O dia do aniversário chegou, e homem chegou  na festa e ficou olhando a farra,

era cobra para todo lado, cobra verde, amarela, listrada, azul, e muitas outras cores.

A festa estava muito animada tinham muitos balões coloridos e as cobras

dançavam, pulavam. O homem se divertiu muito com a farra,

comer ele não comeu nada, também nem podia o cardápio era mesmo só para cobras. 

Festa                                                                                                                                                                                                                                                                             

       Tinha muita comida como:            

  bolo de rato, suco de sangue de morcego, bala de olho de coelho

e  muitas coisas gostosas para cobras.

Credo o homem até sentiu o estomago revirar. 

Na hora dos presentes a cobra estava muito animada

com todos, mas quando viu o pacote grande que homem

trouxe ficou ansiosa para abri-lo. 

 

  Quando a cobra abriu o presente, que alegria ela pulava, ela ria, dançava

Que surpresa, obaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

                       

Adivinha o que ela ganhou?

 

Claro uma bicicleta vermelha, vermelha como  como a cor do rabo dela. 

A cobra nem quis saber da festa, sentou-se na bicicleta e saiu

pedalando pelos pastos a fora, gritando de alegria. 

As outras cobras ficaram morrendo de inveja. 

E o homem voltou para casa feliz com a felicidade da cobra. 

Ali nascia uma eterna amizade.                                 

                                                    

LEMOS, Cida. Cobra andando de bicicleta. Caçapava: Caçapava, 1999.