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Morte de meu pai 

  

21/09/009 – Fui trabalhar como sempre vou todos os dias, estava trabalhando normal, quando minha irmã ligou de Caçapava, pedindo que eu fosse ver meu pai, ele não estava bem.

Já entrei em desespero e fui de ônibus para Caçapava.

Chegando lá eu o vi na cama já bem debilitado.

Conversei com ele sobre várias coisas, para se cuidar, comer, parar de fumar e beber, caminhar, sobre o passado o futuro, foi um papo bom como sempre “Nosso papo”.

Nesse mesmo dia eu o vi vomitar, ter dores, ser carinhoso com minha mãe e ter que ir para o hospital as pressas, pois estava com muita febre e desfalecendo.

 Era entre 12h e 13h que ele foi levado para o hospital.

Fiquei lá com ele.

Minha mãe foi visitá-lo junto com outros dois irmãos, ele ficou muito feliz aos vê-los.

Minha mãe disse-lhe que não poderia passar à noite com ele, pois ela não agüentava ficar em hospital, e disse-lhe que eu iria ficar, precisava ver os olhos dele, que alegria, nem parecia que estava em um hospital, há meu pai… , naquele momento entendi, éramos nós dois, ali e para sempre, coisa de outras vidas.

 Passamos a noite juntos, foi à noite mais importante e horrível de minha vida.

Eu o acompanhei até o banheiro vária vez não olhava para seus órgãos, sabia que ele tinha vergonha e depois que saísse dali não queria constrange-lo.

As horas não passavam, várias enfermeiras o visitavam durante a noite.

Ele me falou de sua vida, passado, presente e futuro. Pediu-me para ter mais calma, ser mais amorosa com minha mãe, ter paciência com a vida em geral.

Nos demos muitas risadas com coisas que passaram, choramos com acontecimentos ruins e falamos sobre política o Lula, ele adorava o Presidente Lula.

 Falamos sobre todos da família, ele gostava muito de um irmão meu o mais velho, gostaria de sair logo do hospital para poder pescar com esse irmão.

Um médico queria conversar com ele em outra sala, não achei legal, pois ele estava muito debilitado, então eu o acompanhei até esta sala, ele estava em uma cadeira de rodas e com soro no braço, me olhava com os olhos perdidos e tristes  (“seus olhos eram azuis como o céu”), derrepente ele desfaleceu, vi seus olho virarem e olharem alem de mim, da vida, muito estranho parecia que estava em outro mundo, nessa hora alguma coisa me disse que ele ia morrer, gritei a enfermeira e o tiramos de lá.

De volta ao quarto ele voltou ao normal, bebia muita água, e ia muito no banheiro, a enfermeira queria colocar fralda nele, mas ele não concordou e disse que eu o ajudaria se ele precisasse.

E o tempo não passava, o momento que me deu um pouco de animo foi quando o médico de plantão me disse que ele iria sair da emergência e iria ficar em um quarto melhor.

Só pensei que eu e meus irmãos poderíamos nos revezar e cuidar dele, e assim que melhorasse iria voltar para casa e tudo voltaria ao normal, às brincadeiras as danças – ele sempre que dançava tirava os chinelos e fazia a farra, era ótimo há meu pai…

Era cinco horas da manhã e a médica de plantão o transferiu para UTI, depois de ver seus novos exames, fiquei perdida chorando muito, sozinha cadê meu pai…

Não adiantou minhas lágrimas, meu desespero a única coisa que a médica me disse era para eu ir embora que não adiantava nada eu ficar lá.

 Voltei ao quarto e ele já não estava mais lá, já o tinham transferido para a UTI.

Nem pude dizer fica com Deus, vou embora, mas volto logo, fica tranqüilo, calma pai, eu o amo e preciso de muito de você ainda, se cuida.

Sai do hospital não via nada, parecia que pisava em ovos, só andei, muito, minha mãe morava numa área rural e o hospital era numa área urbana.

Não consegui pegar ônibus, só chorava e pensava no meu pai.

Quando cheguei ao morro da casa de minha mãe, eu a encontrei já indo para o hospital e ela ficou mais triste ainda me vendo daquele jeito, me acompanhou até em casa me deu um chá e me colocou na cama.

 Apaguei, acordei mais tarde, minha mãe já estava de volta do hospital e me disse que meu pai já estava melhor e no quarto.

Eu perguntei se ele havia falado alguma coisa e ela me disse que ele pediu para ela ir embora e cuidar de mim, pois estava muito preocupado comigo, há meu pai…

A noite chegou fomos visitá-lo, minha irmã, eu e meu irmão que ele gostava muito.

Na hora da visita iria entrar minha irmã e meu irmão, pois eles não o tinham visto ainda. Mas minha irmã disse que eu poderia entrar que ela iria passar a noite com ele.

Todas as visitas estavam entrando, menos nós, a demora começou a perturbar.

Perguntamos o porquê da demora e a enfermeira nos acompanhou até a sala do médico de plantão. Esse médico pediu para sentarmos, eu pensei que ele iria dizer que meu pai ia ser transferido para o quarto.

Não ele disse seu pai faleceu às 20h30, de infarto fulminante, eu não quis acreditar, aceitar comecei a chorar desesperadamente, meu irmão me segurou, e eles me doparam. 

Essa noite que passei com ele no hospital foi importante por que pude ficar e conversar com ele pela ultima vez, pois ele é e será sempre  muito importante para mim. 

   

Bem nesse momento uma parte de minha vida acabou, uma parte que era muito importante para mim – “saudades PAI” 

  

Frase que ele me disse e não consigo esquecer. 

 “Pai é palha mãe é mãe” – queria que eu amasse minha mãe como eu o amava.